1.25.2011

Sentir na pele, bonecos

Houve mais um atentado TERRORISTA em Moscovo mas, para os bonecos sem pele que fazem a nossa informação e a barrela cerebral habitual (aliás, são simples transmissores de plástico, não sabem o que dizem, só o que lhes mandam dizer), o atentado no aeroporto de Domodédovo não é propriamente "terrorista" mas sim "forma de luta da guerrilha independentista" do Cáucaso. Logo, também há heróis bombistas, e este atentado terá servido como "novo desafio à autoridade de Pútin" e está tudo dito, quanto menos se falar disto, lá tão longe, melhor. Lembro as palavras do "líder da guerrilha independentista" islamista Doku Umarov:
"Levaremos a guerra até às vossas cidades e aí ireis senti-la nas vossas vidas, na vossa pele".
"Na vossa pele", diz o terrorista bom. Pele é que não têm os nossos jornalistas nem as agências de propaganda ocidentais que fazem o trabalho para eles e lho passam; então, como podem sentir alguma coisa?
Também não percebo: como continua a haver tão má vontade contra um país que, com Iéltsin e Pútin, criou talvez o capitalismo mais puro dos nossos dias? Não deveriam os nossos jornalistas e as nossas agências de propaganda defender um "sistema de mercado" tão bom? Concorrência de tubarões?
Sentir na pele é simples: ver a Rússia como um país como outro qualquer, onde vivem pessoas e onde se pode ter amigos, familiares, aeroportos onde de vez em quando temos de aterrar. Claro que viver num país que nunca sofreu um atentado terrorista a sério não ajuda muito a sentir na pele seja o que for. Isto se, por absurdo, os bonecos da informação tivessem pele.

4 comentários:

Sun Iou Miou disse...

Há uma coisa que me chamou a atenção no atentado de ontem. Claro que não sei até que ponto está manipulada a notícia (quem pode saber desde aqui?). Os taxistas que faziam a viagem do aeroporto a Moscova ontem pediam dez vezes o preço habitual. Quando foram os atentados de Atocha em Madrid, os taxistas fizeram viagens gratuitas.

Do resto aqui não ouvi (digo ouvi porque é a rádio o meio de informação habitual de que me sirvo) dar cá esse tratamento de "guerrilha independendista", mas sim qualificá-lo de terrorismo sem adjectivos, talvez porque cá de bombas ainda se sabe, infelizmente, mais do que a gente gostaria. Ouvi também críticas contra o governo russo, que tenta atenuar a magnitude do atentado para evitar efeitos desagradáveis para a sua economia. Enfim...

GAF disse...

Sun lou Miou: afinal sempre há uma diferença entre os povos, entre os russos que levam 10 vezes mais (oportunismo) e os espanhóis, por exemplo, que são solidários e não cobram nada nos táxis? Há vítimas boas e vítimas que estavam mesmo a pedi-las? Ou talvez os táxis em Madrid não sejam geridos por uma máfia sem pátria como em Moscovo; e devo dizer-lhe que há poucos russos a conduzir táxis em Moscovo.
Quanto às implicações políticas INTERNAS, também as houve em Madrid quando do atentado de Atocha: Aznar tentou aproveitar o atentado para sobreviver, culpando de imediato e mentirosamente a ETA. Lixou-se. Em Portugal seria eleito, limpinho.
Tenho de lhe dizer também que a manipulação não é geral. Mas o silêncio sim.

Anónimo disse...

Na Rússia não é onde existe o capitalismo "mais puro", se tal coisa como o "capitalismo mais puro" de facto existir, o que duvido. Se se tentar traduzir o capitalismo como um projecto político (o que também duvido ser possivel, ou correcto), deverá ser apenas o reconhecimento de que as forças geradas pelo desejo de lucro e de acumulação de capital devem ser aproveitadas, e não reprimidas legalmente ou rejeitadas moralmente; ou, pleo menos, que todas as sociedades que mais riqueza e conhecimento produziram (EUA, Canadá, Europa Ocidental, Australia, Japão)aproveitaram essas energias, em vez de as tentar superar. Não vejo porque é que capitalismo "mais puro" não poderá ser aquele onde não existe corrupção, onde existem contra-poderes que se equilibram, onde os agentes economicos lutam por mercados (e não por favores do governo): tudo isto é o inverso da Russia actual. No capitalismo mais puro existem eleições livres, partidos, limitação de mandatos, imprensa livre, liberdades, diversidade, etc, etc. Parece-me que em nada disto a Rússia actual possa dar lições: e alguma vez pôde? mesmo quando era comunista? O capitalismo precisa de liberdade; sem ela, o capitalismo não pode proliferar, porque o capitalismo é um darwinismo, e só sobreviverá na excta medida da diversidade que conseguir continuar a gerar. O capitalismo é um mecanismo para criar riqueza, para inventar coisas, para fazer mais com menos; não é um sistema político; em ultima instancia o capitalismo não é nada. Debaixo do capitalismo, as sociedades podem organizar-se como bem entenderem; a grande novidade é mesmo reconhgecer que até o comunismo é capaz de adoptar o capitalismo. O capitalismo "mais puro" não existe porque o capitalismo é uma puta vai com todas.

Anónimo disse...

aqui em cima falava o anónimo "maradona"

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