12.17.2010


"As grandes obras em prosa do século XX são, por esta ordem, o Ulisses de Joyce; a Metamorfose de Kafka; Petersburgo de Béli, e a primeira metade do conto de fadas Em Busca do Tempo Perdido de Proust." (Vladimir Nabokov).

Trótski diz: "A literatura do período entre as duas revoluções (1905-1917), decadente no seu humor e no seu alcance, extremamente refinada na sua técnica, uma literatura do individualismo, do simbolismo e do misticismo, encontrou em Béli a sua expressão mais alta e, ao mesmo tempo, mais directamente prejudicada pela Revolução de Outubro. Béli acredita na magia das palavras."

Béli nasceu em 1880, morreu em 1934. Era um simbolista que ultrapassou o simbolismo. O poeta Óssip Mandelstam, que zurzia os simbolistas russos e dizia que, para eles, "uma vassoura servia para tudo menos para varrer", tinha Béli em alto apreço. Dedicou-lhe um poema a que chamou "10 de Janeiro de 1934" (o dia da morte de Andrei Béli). Reproduzo a primeira estrofe:

Perseguem-me duas ou três frases fortuitas,
todo o dia repito: farta é a minha tristeza...
Oh, Deus, que fartas, gordas, de que olhos azuis
são as libélulas da morte, que negro o azul.

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